30 de agosto de 2009

Senadores querem dedicação exclusiva para professor da educação básica



Mais uma informação importante sobre a Educação Básica. Leiam texto a respeito em www.stellabortoni.com.br.

Aguardo comentários e posicionamentos nos blogs.

Abraços

Céu de Brasília




Passei aqui para fazer apologia ao céu mais lindo do Brasil.

Declamado por muitos poetas:


Beleza bonita de ver nada existe como o azul
Sem manchas do céu do Planalto Central
E o horizonte imenso aberto sugerindo mil direções
E eu nem quero saber se foi bebedeira louca ou lucidez.
Flávio Venturini

Ah, Céu de Brasília, francamente, você, quando capricha, meu coração fica sem argumento. Te adoro, você me acolhe e me protege como nenhum céu o faz, nem o céu capixaba maravilhoso de minha terra. É lindo ele, mas é de outra qualidade, outra especialidade. Sempre foi assim, já reparou? Desde a primeira vez, cheguei plebéia e saí daqui rainha. Você é uma gracinha, foi logo me premiando de estréia! Me tratas com muitas honras pra quem é só dois anos mais velha.
Elisa Lucinda

Esse imenso desmedido amor
Vai além de seja o que for
Passa mais além do céu de Brasília
Traço do arquiteto
Gosto tanto dela assim
Djavan


Um abraço gigantesco para todas/os as/os colegas de Gestar II.

A foto do post foi pega na Internet e é do Memorial JK, um dos monumentos mais visitados da capital.

Bom domingo!

17 de agosto de 2009

Projetos (in)úteis?

Foto: internet



Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã, olha aí

Pesadelo
by Marcelo Tapajós e Paulo César Pinheiro



A notícia de que há um Projeto de Lei tramitando no Congresso - já foi aprovado pelo Senado - para que seja obrigatória a execução do Hino Nacional com hasteamento da Bandeira uma vez por semana em todas as escolas do país me fez relembrar meus tempos de menina. Na época, década de 70/80, era ditadura militar e tínhamos aulas de Organização Social e Política Brasileira, Educação Moral e Cívica e, uma vez por semana, entoávamos o Hino no pátio durante o hasteamento de nossa Bandeira. Eu nutro um amor especial pela nossa Bandeira. Ela sempre me fascinou. Certamente um sentimento implantado por aquela época tão terrível de nossa história, em que éramos obrigados a cumprir protocolos sem o mínimo direito de abrir a boca para questionar. Aprendíamos todos os símbolos da pátria - boa herança da ditadura? Alguns artistas, por exemplo, compunham músicas de protesto disfarçadas, porque, se pegos, eram presos - como Cálice, de Chico Buarque. Adotavam pseudônimos para compor, como Julinho da Adelaide, também de Chico Buarque. Muitos sumiram "misteriosamente" à época, como Honestino Guimarães, estudante da UnB. Naquela época, ninguém nos contou do lema positivista inscrito na faixa central da Bandeira - Ordem e Progresso. Era o que vivíamos. Era o que esperavam de nós. Sem maiores (ou menores) discussões. Muitas pessoas gostam de afirmar que brasileiro não é patriota. Eu questiono essa suposta falta de patriotismo atribuída aos brasileiros só porque, diferentemente dos norte-americanos, cada um de nós não tem hasteada a Bandeira em nossas portas ou janelas?! É claro que, depois de 20 anos de tortura e submissão, as pessoas nutriram sentimentos de "liberdade" extrema e procuraram se distanciar ao máximo de tudo que relembrava aqueles tempos - acabaram, nas escolas, as disciplinas de OSPB, EMC e a obrigação de entoar o Hino e hastear a Bandeira; os protestos por liberdade de expressão já não faziam mais tanto sentido. Agora, vejo a possibilidade de retorno da cerimônia cívica nas escolas com um pouco de receio, mas também com a esperança de que isso reforce a democracia e a necessidade de se buscar direitos, de se tornar um cidadão mais crítico e consciente, especialmente ao escolher os representantes, pois estamos em outros tempos e as lutas agora são/devem ser outras. Mas os fantasmas de outrora ainda rondam o ideário brasileiro e as ações de muitos que se dizem representantes do povo também continuam como daquela época. Se o Projeto vingar, caberá ao professor exercer o papel de conscientizador, de democratizador do acesso a toda e qualquer informação sobre nossa história - passada e recente. O conhecimento aumenta as chances de desenvolvimento de uma nação. O conhecimento possibilita o surgimento da criticidade. Prefiro ver com bons olhos essa ideia. Prefiro acreditar que isso será bom para a comunidade escolar.

Notícia sobre o Projeto de Lei aqui.

7 de junho de 2009

Informações importantes

Pessoal, seguem informações importantes sobre a bolsa.
Abraços,
Carol
+++++++++++++++++++++
Colegas,
Abaixo, repasso um sumário das primeiras informações que me chegaram ontem sobre as bolsas do Gestar II. Devemos repassar essas Informações aos formadores locais (estaduais e municipais) imediatamente:
1. As bolsas do Gestar II serão de R$400,00 (10 parcelas).
2. Todos os formadores locais em atividade estão aptos a recebê-la.
3. Os coordenadores só poderão receber bolsa se estiverem atuando como formadores.
4. Se algum formador local está devendo a ficha, deve enviar os dados por e-mail (
gestar@unb.br ) e
a ficha posteriormente pelo correio; os dados por e-mail, para garantir a bolsa de junho (que sairá no
inicio de julho), deverão chegar até 25 de junho. Pelo correio, pode chegar depois dessa data.
5. Os formadores-UnB deverão informar para os coordenadores-UnB quem está em dia com as atividades para receber a bolsa mês a mês.
6. Serão 10 parcelas a começar em julho; portanto; continuarão recebendo depois de dezembro.
7. Pode receber a primeira parcela quem participou da Formação Inicial e ainda está no
programa, ou seja, tem relatado, ao formador-UnB, suas atividades com os cursistas.
8. O trabalho de autorização será mensal. O MEC sugere que exijamos um relatório mensal dos formadores locais, que podem se referir a meses já vencidos. Cabe ao formador-UnB receber esses relatórios e encaminhar, ao coordenador-UnB, todo dia 20, a lista de quem vai receber a bolsa naquele mês. Logo, no dia 20 de junho aguardo a primeira lista.
Abraços,
Dioney

31 de maio de 2009

Servidor público ou professor?


Esse texto é resultado de algumas reflexões a respeito da ação pedagógica, especialmente na escola pública. São reflexões inciais, por isso não vou entrar em maiores detalhes filosóficos e jurídicos. É apenas um olhar nascido de uma conversa sobre o trabalho.
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Nós, servidores públicos, tivemos um conjunto de atribuições e responsabilidades em Regime Júrido Único instaurados em 1990 com a Lei 8112. Mas, ao que parece, não nos foi enfatizado o verdadeiro sentido do termo "servidor público". Alessandro Eloy Braga, colega educador, já fez reflexão brilhante a esse respeito. Ele mostra que o sentido real do substantivo "servidor" foi totalmente esquecido por aqueles milhares, ou até milhões, de brasileiros que querem ingressar no serviço público, em qualquer esfera. E eu acrescento que o adjetivo "público" nunca foi assimilado em nossa cultura em seu sentido denotativo. Não foi incorporado em nossa sociedade o sentimento de coletividade, de comunhão, de conjunto. Ao contrário, disseminou-se a noção de que público é o que pertence ao governo e o governo... É algo distante, bem distante de nós. Passamos, então, a lidar com a questão do público como o que é privativo ao outro e "eu não tenho nada a ver com isso".
***
Além dessa torpe visão, tornou-se um vício ser servidor público para manter-se no emprego custe o que custar. É a tal estabilidade, outra palavra muito mal interpretada por nós, que nos oferece esse privilégio. Aquilo que foi conquistado a duras penas e legalizado na 8112/90 como um benefício de categoria passou a ser um malefício público. É. A estabilidade garante ao servidor o direito de, após o estágio probatório de 3 anos, permanecer no cargo. A não ser por crimes previstos na Lei. O que vemos é que o servidor tem de fazer bastante esforço se quiser ser exonerado ou demitido. Mas bastante esforço mesmo!
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E o que isso tudo tem a ver com a ação pedagógica do professor da escola pública? TUDO! Nós, professores da escola pública, confundimos estabilidade com acomodação. Nos esquecemos de que não devemos apenas ensinar conhecimentos advindos do saber científico, ética, moral, respeito, comprometimento consigo e com o outro, mas também, e em primeiro lugar, devemos dar exemplo de tudo o que ensinamos. Nos esquecemos o verdadeiro sentido de estarmos desenvolvendo um trabalho totalmente diferenciado do de um técnico da Receita Federal ou de um agente do Detran, por exemplo. Estes também devem ter consciência do que significa servir o público. Mas a natureza da atividade que cada um desses profissionais desenvolve é infinitamente diferente da desenvolvida pelo professor.
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O fato de todos nós servidores públicos nos acomodarmos em virtude de nossa estabilidade traz muitos malefícios a nós mesmos porque temos péssimos serviços públicos: hospitais públicos, INSS, Polícias, Receita Federal, Tribunais, Detran, Procon, escolas públicas, etc. Ao ponto de termos de pagar duplamente pelos nosso direitos básicos, previstos constitucionalmente - saúde, educação, segurança, habitação - se quisermos ter o mínimo de dignidade. E quem não pode pagar?
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Este texto serve a um questionamento surgido ontem quando de uma discussão sobre trabalho e transformação social. Por meio do trabalho, transformamos/dominamos a natureza e criamos cultura. Essa também é uma das razões por sermos diferentes dos animais - eles sobrevivem e isso não transforma o meio. Então, o trabalho é uma forma de dialogarmos com nossa existência, nosso mundo, nossa natureza humana e de modificar tudo ao nosso redor. Consumismo a parte, trabalhamos não apenas para sobreviver, mas para transformar e construir o mundo. Especialmente o professor, consciente ou não do poder que tem, querendo ou não, trabalha para transformar e construir o mundo ao seu redor. Resta saber se os vícios de um cultura depreciadora do real sentido de ser servidor público já impregnaram a maioria de nós. Resta saber se temos agido muito mais como reprodutores da cultura nepotista ou como contribuidores para uma sociedade mais consciente e crítica. Resta saber se temos realmente servido o público como nos é obrigatório a partir do momento em que fomos selecionados em um concurso público ou se estamos bastante interessados em receber um salário no final do mês sem importar o que fizemos com nossa obrigação já que existe uma estabilidade que me protege de um exercício irregular da profissão. Resta saber quem realmente somos. Resta saber quem queremos ser. E resta saber quem não devemos ser.


Caroline Cardoso
29.05.2009
Texto originalmente publicado aqui

26 de maio de 2009

VESTIBULAR PARA OS PARLAMENTARES

Há oito dias aguardo para escrever este post. Na verdade, quero compartilhar com o leitor a queda de mais um dos meus (pre)conceitos. Explico: sempre achei que muitos, para não dizer a maioria, dos programas de humor da TV brasileira são de uma má qualidade e de um mau gosto impressionantes. [Não estou defendendo os estrangeiros. Os programas de humor ingleses ou americanos são péssimos! Depois explico isso.] Também acredito que fazer comédia, e de qualidade, não é para qualquer um. Mas há um quê de apelação em muitos desses programas brasileiros, seja para o sexo, seja para a ridicularização das minorias, seja para o desprezo ao lado cítrico-sarcástico-inteligente que deve ser a essência do humor. E, obviamente, o humor deve ser contextualizado. As piadas inglesas do Mister Bean são um horror para mim. Não as entendo [nem quero entender], por isso são tão sem graça. Mas segunda-feira passada assisti, pela primeira vez, ao CQC. E, para minha surpresa, eles fazem bom humor. Gosto muito do Tas, que comanda o programa. Ele é um rapaz cult. E isso deu um ar mais jornalístico, digamos assim, ao programa. Ao menos no quadro que vi e que reproduzo ali embaixo, eles fizeram algo bastante interessante e inédito nos programas de humor: entrevistaram os políticos, no Congresso, a respeito de conhecimentos elementares para qualquer cidadão eleito para representar o povo. E, para surpresa geral, se nossos parlamentares fossem fazer um vestibular para concorrer ao cargo por meio dos próprios conhecimentos, SURPRESA! Muitos REPROVARIAM. Fiquei impressionada com as atitudes, com a falta de vergonha dos senhores deputados e senadores pela própria ignorância. Não sei o que é pior, os desvios serem cometidos por alguém tão ignorante ou... O mais legal do programa é que o Gentili, entrevistador CQC, não precisou rechaçar os nobres colegas enternados para nos fazer morrer de chorar com tanta incongruência. Os próprios parlamentares são a piada.

Analogamente, fiquei pensando na minha profissão. Tanto que nós professores brigamos e lutamos para que nossos alunos saiam cidadãos conscientes e críticos, para que as comunidades mais carentes tenham acesso a uma Educação integral e de qualidade e para que nosso país seja mais bem representado. Como as pessoas ainda conseguem se tornar massa de manobra de gente que mal sabe o valor do salário mais pago no país? Como as pessoas ainda conseguem votar nesses homens de terno vendo tanta baboseira saindo da boca deles? Como nós ainda conseguimos nos sentir REPRESENTADOS por esse bando de ignorantes? Eu só tenho um conselho, que se fosse bom, seria vendido, não dado: ESTUDEM, NOBRES PARLAMENTARES. ESTUDEM! Eu estudo e não voto em ninguém há 6 anos. E, pelo jeito, vou continuar sem votar.



Caroline Cardoso
25.05.2009
Texto originalmente publicado
aqui

21 de abril de 2009

Notas de uma aprendiz em construção

Foto: internet


Sou o intervalo entre o que desejo ser
e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida...

by Álvaro de Campos

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Os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo.

by Wittgenstein

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É preciso ser diferente para ver diferente.

by Rubem Alves



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Em minhas mais novas reminiscências, recuperei meu amor pelo estudo e pelos livros. Se existem fadas madrinhas? Existem, sim! A minha foi responsável direta por eu gostar muito de ler. Ela era professora e dona de uma escolinha, a D. Lourdes. Me recordo vagamente dos corredores da escola dela, de brincadeiras de leituras e do primeiro livro que ela me deu de presente - a bíblia da criança. Ela plantou, regou, e minha mãe, que fique claro, sempre cultivou em mim o hábito de estudar. Não posso recuperar em minha memória algum momento em que eu não estivesse curiosa a respeito de alguma coisa. Não consigo me lembrar de minha infância sem as brincadeiras de escolinha. Não sou capaz de ver meu passado sem os livros. Desde que "me entendo por gente", eu estudo. Aprendi a ler cedo. Fui alfabetizada no SESC em meados da década de 70. Toda a minha vida escolar básica em colégio de freira foi com professores rígidos, métodos tradicionais e Educação Moral e Cívica. Eu cantava o hino do Brasil enquanto hasteavam a Bandeira, rezava antes de começar a aula e esperava ansiosamente pelo recreio. Como eu corria no recreio! Mas também adorava ficar conversando com as colegas, fazendo o dever, copiando, copiando, copiando. Como eu copiava! E treinava para manter minha letra redondinha - porque era chique! Um dos meus hobbies era acertar tudo no ditado. Mas também contava os dias para as festas juninas e as longas filas indianas. Os ensaios eram momentos de interação e também de treino da organização. Sou muito organizada, devido à educação da minha mãe e também a esses ensaios na escola. Engraçado... Lembro que eu lia muito, mas não me lembro das visitas à biblioteca da escola, nem dos meus professores do primário. Sempre achei muito engraçado eu não ter lembrança alguma deles! O primeiro livro que me marcou muito na pré-adolescência foi A droga da obediência. Acho que é porque eu já sabia dos futuros surtos de rebeldia. Fui preparada. Dos professores do segundo grau? Lembro de vários. Eles marcaram muito mais minha história. De fato, ainda sei de conceitos da física e da biologia, de letras de músicas em inglês, de todos os paradigmas verbais regulares, de fundamentos do basquete, de geometria. Lembro do carinho deles conosco, da proximidade. Parecia, em alguns momentos, colegas. É. O diretor era um horror! Grosso, estúpido, mal educado, castrador, todo o oposto do que todas as teorias pedagógicas pregam. E o gosto pela leitura foi crescendo. As amizades foram se firmando. Eu jogava basquete no time da escola. Tinha algumas paqueras. No entanto, nunca deixei o gosto pelos estudos até mesmo porque eu não podia perder a bolsa de estudos que minha mãe havia conseguido com muito esforço. No final do ensino médio eu não tinha a mínima ideia do que faria realmente. Fiz vestibular para ciência da computação, jornalismo e letras. Deu certo o caminho do magistério. Descobri a linguística na faculdade de letras, mas parece que eu já sabia que ia enveredar por esses caminhos. Quando eu tinha uns 7 anos, viajei para o interior da Bahia, onde mora meu avô paterno. Naquela época, era zona rural. Aliás, meu trânsito pela zona rural sempre foi intenso. Mas, na Bahia, percebi as variações da língua. Meus primos falavam diferente de mim. E eu pedia que repetissem mil vezes o abecedário. Do jeito deles era muito mais melódico. Na época, 25 anos atrás, eu não imaginava o que era ser cientista da língua. Hoje sei da importância dos meus antecedentes rurais para a minha formação - honestidade, humildade, respeito, integridade e fé. E também sei o significado da nossa base rural para a configuração atual do português brasileiro. Especialmente, espero que as pessoas entendam isso, de uma vez por todas, como traços culturais valiosos e os respeitem como devem ser respeitados. Sei que, na maioria das vezes, as pessoas me olham como se eu fosse uma pessoa excêntrica. E devo ser. Porque eu afirmo, digo e redigo: Eu gosto de estudar. E descobrir. Por isso continuei meu caminho nos estudos. E, enquanto vida eu tiver, quero poder aprender. Essa vida é muito curta e cheia de novidades. Há muito o que investigar. Há muito o que olhar. Gosto das provocações presentes nos livros. Tenho um prazer quase libidinoso quando consigo descobrir, aprender, ver coisa nova. A verdadeira matriz dessa máquina humana que sou é meu cérebro. E o cérebro, líder intelectual humano, supremo órgão da máquina humana, não pode parar. A ele, pai de todas as cognições, de todos os sistemas, de todas as atividades racionais e emocionais, comandante e, ao mesmo tempo, ponte do aprendizado, dou glórias. E graças. Se posso pensar, por que ficar inerte? Se posso agir, por que não (re)agir?

Caroline Cardoso
15.04.2009
Texto originalmente publicado aqui